O tempo passou, Marina. Não que eu ainda me lembre da última vez em que conversamos. Eu não perco meu tempo, eu não gosto de relembrar, eu apenas me escondo, fujo... Mas como se em uma última vez os florejos permanecessem mais bonitos, a lua mais acesa, o ar mais breve. Como se a melodia ecoasse mais admirável aos teus pés. Marina menina, as palavras, que eu não careço de pronunciar, se diluem no céu… E me fazem compreender que eu jamais cantei, por que sei que os pássaros são melhores nesse feito... Mas que gênio seu ao escavar as quatro rodas... Eu nem sinto a sua falta. Não, Marina, eu nem me lembro de você... Mas se eu lembrasse eu sentiria falta do seu sorriso, dos seus fios que fluíam pelas suas costas desnudas. Lembrar-me-ia do prazer que eu experimentava ao ouvir sua risada invadir os cantos da casa, de como seus olhos traziam vida própria. Você vê como eu não necessito de você? Você mentiu, disse que ia aguardar a neve cair. Mas ela não esperou você voltar par...