Minha Pequena Verdade

Quer saber? Pode partir, eu não amolo. Pega o trapo amassado do casaco, põe nas costas e vai. Vira o rosto e nem precisa dizer adeus. Vai, mas não deixa teus indícios pelo chão. Não me dê uma causa para te perseguir até o fundo do oceano. Vai, mas prende os teus longos cabelos para que estes próprios não lavrem o teu perfume pelas ruas que eu posso andar depois de amanhã.

Quer saber? Acompanha a chuva, eu não preciso de uma despedida. Vai antes de o pensamento mudar.

Que saudade o quê? Achas mesmo que eu sentirei falta do calor da tua pele gostosa em uma fria madrugada? Que hei de sentir uma pitada solidão no café da manhã, apenas por ser só eu e minha xícara de café amargo em uma mesa abissal? Que jazerei perdida sem tua voz de sino seduzindo meus ouvidos? Que enlouquecerei sem teu cheiro doce de frésias que desperta minha alma de uma extinção?

Talvez, só talvez. Mas se quiser ir, que vá. O que adianta te trancar na cadeia dos meus olhos quando você, pequeno passarinho, prefere voar em outros ares?

Thainá Seabra

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